sábado, outubro 12, 2019

Só em boa companhia

Hoje estou naqueles dias em que me apetecia uma companhia que não insistisse em falar comigo. Nada de conversa fiada, nada de treta, nada de nada. Só cafoné, creminho nas costas, fazer-me o jantar e mimar-se sem abrir a bocarra. E não se incomodaria se eu adormecesse.
Hoje seria isso.

segunda-feira, setembro 23, 2019

Pior do que o fim de um namoro

é o fim de uma amizade.
Porque os sentimentos eram puros, o carinho era natural e a companhia e interajuda eram preciosas. E só acontece porque uma das partes não tinha maturidade suficiente para entender que era assim. E confundiu amizade com "amigalhice" e faltou ao respeito e desconsiderou o outro e tratou-o como se não fosse minimamente interessante. O fodido disto é que o ego nem entra na história. Não te sentes menos bonita ou atraente, sentes-te inútil, invisível, desprezável. Sentes que tens de te afastar para continuares a ser quem és, o melhor que és, antes que o teu "amigo" te convença que não mereces mais do que palavras irreflectidas, desconsiderações e a exclusão permanente, excepto quando ele precisa de algo de ti.
Adeus, meu amigo.

Eu sou a pessoa mais importante do meu mundo, e ainda que continue a amar-te incondicionalmente, a verdade é que me amo mais ainda a mim mesma.
Sê muito, muito feliz.

segunda-feira, julho 22, 2019

Existem dois tipos de pessoas.

As que não desistem de ti, ainda que não estejas nem aí.
E as que desistem dos outros porque desistiram de si mesmas.

Preciso de ajuda.

Preciso de ajuda. Preciso de uma ajuda simples, daquelas pela qual não tenho de pagar. Preciso de uma ajuda que apenas sei dar, mas que não sei como pedir e, sobretudo, conseguir. Preciso de ajuda e não tenho a quem a pedir, porque implica ter a confiança na pessoa a quem eu peça ajuda. E eu não confio em ninguém. Porque o que peço é mínimo, e ninguém acha que é importante. Logo, ter de implorar por algo que os outros consideram mínimo é ainda mais doloroso.
Preciso de ajuda e não sei pedi-la. Preciso de ajuda e não confio em quem se disponha a dar-ma. Preciso de ajuda incondicional, sem julgamentos, sem prazos, sem custos e sem contrapartidas.
Preciso de ajuda.



(duas horas depois de escrever este post: a ajuda veio de mais lados do que eu poderia esperar. Estou muito grata a que, sem sequer saber deste post, me ligou e me ajudou. Para obter ajudar é necessário pedir ajuda.)

terça-feira, julho 16, 2019

Mood do momento: 'sa foda

Quero bazar. A Sílvia voltou e quer pôr-se a andar. Viajar outra vez, ir embora, contactar com outras culturas, outras paisagens, outros ritmos, correr um pouco mais de mundo. Sa foda o dinheiro, sa foda o trabalho, as obrigações, só não sa foda a gata. Se eu não a tivesse, bem que não parava em casa. Para mim, férias é estrangeiro, é estar livre e não prestar contas a ninguém, é ser eu numa outra terra qualquer. Não me chega ficar em Portugal, nem ir até à praia todos os dias. Preciso de outras vistas, outros costumes, outros sabores e gente nova e absolutamente passageira. Preciso de ir. Quero ir. Vou.
Sa foda. Eu vou.

quarta-feira, julho 10, 2019

Paying it forward.

Talvez seja uma abordagem errada e completamente enviesada, mas para te entender a ti, eu imagino-me a mim, ou recordo como agi em situações semelhantes. Lembro-me do que senti, de como reagi, do tipo de pessoa que eu mostrava ser e de como os outros me viam e percepcionavam — e que eu sabia que não era a correcta, que eu estava longe de ser eu própria, mas eu não sabia fazer melhor na altura.
Lembro-me também de que sempre estive sozinha nos piores momentos. Por outro lado, jamais me esqueço de quem, ainda que momentaneamente, com pequenos gestos, aconteceu estar lá para mim, mesmo que eu tenha rejeitado essa presença, mesmo que eu não a tenha sabido apreciar na altura. Essas pessoas ficaram para sempre no meu coração, gravadas a fogo e gratidão.

Bem sei que nós não vemos os outros como eles são, nós vêmo-los como nós somos. E eu sei que nós não somos iguais, não estamos na mesma situação e que os contextos e vivências são muito diferentes. Ainda assim, respeito-te como eu gostaria de ter sido respeitada e desafio-te como eu gostaria (ou gostei) de ser desafiada. Também sei que neste momento estás incapaz de me compreender ou sequer entender a minha posição, intenção ou sentimentos.
A minha esperança é que um dia sejas capaz de o fazer, e que o faças por quem venha a seguir.

Calma, a minha alma precisa de calma.

Devagarinho, devagarinho, esta frase vai-se enraizando no meu ser. De cada vez que tenho mais energia do que escapes, mais ideias do que energia, ou mais vontade do que razão, lá vem o conselho "Calma, sua alma precisa de calma". E eu lá me acalmo, lá me centro e lá me perdoo por não fazer mais, não ir a todas, ou até por não ir e não fazer de todo.
Atrás de um dia vem sempre outro, com mais energia ou melhor vontade, e as coisas têm sempre uma forma de se comporem.

Sinto-me a aprender a dizer "não", a poupar-me um pouco mais, a reservar-me para aquilo que realmente quero. E quando faço isso, reparo que tenho mais tempo para planear aquilo que quero para mim, para me mimar, para fazer o que ninguém faz por mim, mesmo que possa.

Nunca fui de esperar pelos outros para fazer o que quero porque sempre senti que, se assim fosse, jamais iria a lado algum ou faria fosse o que fosse a tempo.
Sou rápida a dizer que sim aos convites alheios, justamente porque detesto que sejam lentos a dizerem-me que sim a mim. Mas agora, digo com mais calma. Já não empenho a alma.
Agora o pagamento é à vista, e estou longe de ter liquidez.
Vamos com calma, porque, afinal, vamos com a alma.

segunda-feira, julho 01, 2019

Não sei por onde vou, mas já não vou por aí.

Todos temos um limite. Só não nos permitimos admitir ver onde esse limite se encontra.
Por vezes, ultrapassamos o nosso limite, desafiando o nosso próprio bem-estar em prol das necessidades e objectivos de outrém. Pode ser no trabalho, pode ser nas relações com os outros, mas será sempre, primeira e verdadeiramente, na relação connosco mesmos.
E perdemos o limite de vista.
E perdêmo-nos a nós mesmos de vista, e do coração.
E só quando não nos reconhecemos mais — e a última réstia da nossa centelha divina nos incendeia os pelinhos do rabo — é que percebemos que temos de cuidar de nós mesmos primeiro.

Isso não significa passar a ignorar os outros. Isso é infantilidade.
Isso não significa passar a maltratar os outros. Isso é fraqueza de carácter, trauma profundo a precisar de atenção, má formação ou, no mínimo, má educação.
Isso significa, sim, comunicar razões, impôr limites e agir em conformidade.

Às vezes demora ao chegar ao limite.
Às vezes, perde-se uma vida inteira a viver para lá do limite, morrendo um bocadinho a cada dia, sem saber o que correu mal, até se morrer infeliz e vitimizado.
Às vezes, perde-se meia vida a obedecer às circunstâncias externas que nos são nefastas porque acreditamos que estamos a fazer o bem, e só essa convicção é meio alimento para que continuemos.  Mas é só meio alimento.
Vivemos carenciados, coisa que só aumenta.

Até que, às vezes, vivendo mal com o desconforto, temos a irreverência de o questionar. 
Oh, mas que irreverência! O mundo em volta não gosta disso! Chama-te maluca, diz-te "não estás bem da cabeça!", "isso é utopia", "mudaste!", mas nós sabemos que há ali uma porta num sítio qualquer, algo que um dia vamos encontrar e que nos vai permitir ver as coisas com clareza e discernimento. Nós sabemos que existe, só o smog do ram-ram não nos deixa ver claramente. Existe!

E porque o Universo nos dá sempre o que pedimos (ainda que não o queiramos conscientemente), um dia a porta revela-se. Aí, nós revelamo-nos à porta.
Ou bem que estamos prontos e avançamos, ou mal que nos recusamos a ver e nos acagaçamos, ficando mais uns tempos a viver no acolhedor e bem conhecido conforto do desconforto.

É verdade que, por vezes, precisamos de um empurrãozinho. É verdade que, por vezes, até podemos ter uma multidão de gigantes a soprar vuvuzelas e empurrar até que nos esborrachem contra a porta, que, se não estivermos preparados, não a vemos, não a vamos abrir, ou pior, vamos escondê-la de nós mesmos, e vamos lutar para a manter fechada.

Felizmente, também é verdade que, quando estamos prontos, ainda que enremelados e entorpecidos pelo nevoeiro mental, emocional e societal, nos permitimos que um pequeno sopro de anjo nos encoste à porta apenas o suficiente para ela se abrir... E atravessamos.

Caímos estatelados do outro lado. Deixámos tudo para trás. Gastámos toda a nossa última energia de resistência e ficamos ali um tempo, como despojos que dão à costa, meios mortos. Mas prontos para renascer.

Fez-se o click.

A chave rodou na fechadura, engatou no trinco e destrancou o ferrolho. Desatou-se o nó. Fez-se luz, e um novo sol ilumina cada célula do nosso corpo, e a energiza e nos faz sentir o amor pela vida de volta no coração. Foda-se! Aí tudo parece brilhar de novo, tudo, até o mais óbvio e imutável, parece estar mais nítido.

Subitamente, sentimos a força da vida a retornar, os sentidos a voltarem a captar as sensações mais subtis de prazer... e voltamos a sentir-nos vivos. Voltamos a rir, encontramos pessoas com quem fluimos, uma após a outra, como se até ali tivéssemos vivido num planeta estranho e agora voltamos a casa e toda a gente termina as nossas frases e entende as nossas piadas e nos partilha do nosso sentido de humor inteligente, e cada nova interacção, reforça que "esta sim, sou eu".

Reencontrei o trilho. Reconheço a minha tribo, e sinto-me de regresso a uma casa que não sei onde fica, mas que me "lembro" que era mesmo muito fixe.
Minha gente, eu vou a caminho!


PS. Fora de brincadeiras, esta merda acontece mesmo.
Procurem ajuda. Ela existe e está à vossa espera. Atentem aos sinais — eles mostram o caminho. Basta darem o passo.

segunda-feira, maio 20, 2019

Amizade que é amizade...

...é exagero do bom. É ligar 10 vezes ao dia e mandar mensagens nos intervalos. É banhar o outro em amor incondicional e palavras de apreço só porque sabemos que ele precisa. É ligá-lo à corrente antes que acuse falta de bateria. É antecipar as soluções aos próprios problemas. É confiar e ser de confiança. É nunca falhar e sempre encontrar uma saída. É estar presente, mesmo à distância.
Tudo isto pode ser confundido com amor romântico, mas não o é. É amizade sem filtro, sem barreiras nem resistência. Devia ser recíproca, mas ser amigo também é entender que o outro nem sempre tem condições para reciprocar. Ser amigo é reservar espaço para o outro, é saber esperar, e é estar confortável com tudo isso. É falar com verdade, mesmo quando a verdade não é bonita. É entender e discernir os dias bons e dos dias de merda. É ter altas confusões, desabafar as frustrações aos berros e, no fim, ser como se nada se tivesse passado. Eu, a ser amiga, sou assim.

quinta-feira, abril 18, 2019

Who ever you are.

Já me apeteceu dizer estas palavras várias vezes a diferentes pessoas. Nunca as disse.
Eventualmente, não me vim a arrepender não as ter dito. Porque não deveria existir a necessidade de as dizer. E se existe, então até que ponto é salutar, até que ponto é um favor que fazemos ao outro, declarar aquilo que deveria ser tão óbvio?
Não sei responder.

segunda-feira, abril 08, 2019

Deixar ir.

Dizerem-nos para deixar ir é a receita perfeita para agarrar mais um bocadinho, até porque, tendo recebido a ordem ou a autorização ou a validação alheia para "deixar ir", sentimos que temos de agarrar mais um bocadinho, uma última vez, antes de, finalmente, "deixarmos ir".
"Deixar ir" nunca acontece rapidamente nem de um momento para o outro. Por isso, se diz "deixar ir", uma expressão meia lânguida, composta de dois verbos, como se a acção fosse mais complexa ou demorada, composta de várias fases. E é. Quando deixamos ir, é como se ficássemos a observar a coisa, enquanto se afasta, enquanto já não estendemos o braço, ou a vontade, para o alcançar e mesmo, depois, quando já fora do nosso alcance, se esfuma na distância ou desaparece abaixo da linha do horizonte. E mesmo assim, continuamos a deixar ir, devagarinho. Sempre devagarinho. Porque a Terra é redonda, e porque o sol volta a nascer no dia seguinte. E porque aquilo que deixamos ir, retorna muitas vezes a bater-nos à porta, a cruzar o nosso caminho.
Primeiro é a cabeça quem deixa ir. Depois o corpo. Só, a seu tempo, o coração, alma, se desapega e então, sim, deixamos ir completamente.
Mas é um processo, e há-que respeitar o processo.

segunda-feira, março 04, 2019

Justiça.

Às vezes sabemos coisas e nem sabemos como as sabemos. Mas sabemo-las e obcecamo-nos com essas coisas porque são coisas que nos magoaram muito, e que nunca deviam ter existido. E mesmo que sintamos que nunca durariam, que nunca funcionariam, o simples facto de sentir que subsistem incomoda, enoja, mói.
É lindo quando, finalmente, chega a informação de que o que tanto nos feriu já não existe, já se desfez, já não é, sentes que a justiça foi feita. Não interessam os detalhes, interessa a confirmação da tua intuição. E curiosamente, o daqui para a frente também já não interessa. O mal foi feito, o ego sentiu, o corpo sofreu, a alma registou, mas diz-nos agora, jocosa, "I told you so, you had no reason to worry about. Let it go now." E tu deixas ir. Tudo.
A alma ganhou. A alma quer paz, e o ego desinteressou-se. O amor-próprio saiu reforçado. O apego desapegou-se. A justiça foi resposta. Que benção! E que alívio!...


O processo.

Foda-se. É a primeira e mais reveladora palavra que tenho a dizer sobre "o processo". É também a melhor descrição e a mais completa. É fodido processar o processo, até porque não se processa. Vai-se processando, às vezes com a delicadeza de um comboio que nos passa por cima, outras vezes com a lentidão da CP quando uma vaca se atravessa na linha para toda a eternidade.
Todos os dias são diferentes. Todos os dias trazem um desafio novo, um pensamento recorrente e obrigam a uma estratégia de resolução. Todos os dias trazem também uma benção e uma surpresa. E é neste delicado (des)equilíbrio que vamos (vou) recuperando a (minha) paz.
A todos que estão a passar por um qualquer processo, foda-se para vocês. Mandem todos os "foda-ses" que vou aprouver mandar, gritem-nos, escrevam-nos, libertem a revolta, a dor, a indignação, o ego ferido, ou a pura admiração pela forma como o processo se processa e nos vai processando enquanto picadora de carne ou reorganizadora de moléculas, reinventando-nos até ao tutano.
Há que não ter medo do processo. Há também que ter mecanismos para lidar com ele: mimo, abraços, amigos a quem ligar, a coragem e o desprendimento de falar tudo o que sentimos mesmo com as pessoas erradas ou aquelas que não percebem um caralho do que estamos a dizer. Há que deixar sair, fluir, porque havemos sempre de ir dar a algum lugar. E só aqueles que nos souberam escutar nas entrelinhas, ou entre soluços, lágimas e ranho, é que estarão lá na meta para nos ver chegar, transformados. E serão só esses que vamos querer que estejam. E quando lá chegarmos, teremos de nos lembrar que o resto do mundo está em processo, e que muitos dos nossos amigos também estarão, e que vão apreciar que vocês lá estejam para atender o telefone, dar um abraço beeeeeeeeemmmmm demorado, ou patrocinar e aguentar a vossa bebedeira. Temos de ser uns para os outros.
Hoje coses-me tu as asas. Amanhã, coso-tas eu. Com a prática da coisa até já podemos até fazer uns bordados, e deixar umas cicatrizes cada vez mais lindas.
O processo é fodido, mas há-que o respeitar, assumir e mergulhar fundo.
Peçam ajuda. Hão-de de receber muitos nãos, hão-de ver gente a bazar como se fugisse da cruz. Mas quem ficar é quem tinha de ficar e apenas porque está equipado para vos ajudar. E depois, ajudem o próximo. Quem sabe — ou quase de certeza — que só passaram por esse processo fodido para crescerem, ganharem consciência da vossa própria força, das fraquezas também (e não há mau nem bom nisso), e, um dia, poderem ajudar, mais à frente, alguém que passará pelo mesmo ou semelhante. Estamos todos no caminho de nos tornarmos anjos (entendam como conseguirem).
Eu acredito nisso.

terça-feira, fevereiro 26, 2019

Buraco negro.

Um buraco negro é sempre assustador. Quando encontramos um buraco e não lhe vislumbramos o fundo, sentimos, se não for medo, alguma precaução. Acontece que quando uma pessoa está num buraco negro, a minha tendência natural, é salvar essa pessoa. É puxá-la para cima, é trazê-la para a luz, é mostrar-lhe que o mundo continua cá fora. Só que por vezes, esse buraco é tão fundo, e a pessoa é tão pesada...que arranca um pedaço de ti.
Já não tenho assim tanto de sobra.

Abaixo do vermelho.

Aquele momento em que todos querem um pedacinho de ti, não têm nada para te dar e tu tens ainda menos para dar seja a quem for.





Não consigo.

sábado, fevereiro 23, 2019

E ao sétimo dia, ela descansou...mais um bocadinho.


Não me lembro de outra semana assim, tão introspectiva, tão indulgente, tão só para mim, com tantos altos e baixos, com tantas revelações e constatações, tantas recordações e epifanias, e com tantas bençãos e anjos terrenos e outros a ajudar.
A Mãe Terra devolveu-me com a pele purificada, mas a alma em carne viva. A Mãe Lua provocou-me o espírito o tempo todo. O Pai fogo nunca se apagou, e o Espírito do Vento tanto me deu alento como me levou o pensamento.
Meti-me em casa, na toca, escutei o meu corpo e a minha alfa, fiquei quietinha a ganhar estrutura outra vez. Sinto mesmo que  foram como dias de recém-nascida, em que tudo é novo e tudo incomoda, tudo estimula, tudo alimenta e tudo desgasta. Dormi muito. Dormi tudo o que quis, adiei trabalhos para depois do 7º dia. Faltei a festas, compromissos e hábitos. Bebi muita água, e não precisei quase de comer. Só fiquei. E no ficar, a vida veio ter comigo. Cuidou-me, mimou-me, deu-me colo. Tive uma semana inteira em que não dei nada a ninguém, não perdi nada para ninguém, apenas me poupei e me acrescentei. Permiti-me, como jamais me havia permitido antes. Voltei a mim, sem ruídos, sem fretes, sem interrupções nem invasões. Sete dias sozinha, metida comigo mesma, e em nenhum dos dias me faltou um cuidado, um olhar de carinho, um abraço, um toque curativo, uma mensagem para aquecer o coração. Todos os dias, chorei, todos os dias me amei, todos os dias agradeci uma benção, todos os dias sorri.
Em sete dias, renasci.
Amanhã, volto ao mundo.
A todos os meus anjos (vocês sabem quem são), estou grata. :)



quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Uma conversa sincera, sem filtro.

Ou várias, sobre tudo o que te vai na alma, todas as preocupações, todas as ideias loucas, mal acabadas, mal formuladas, todos os disparates, todos os indizíveis, tudo o que te trespassa a alma e o coração e que não admites que te passe os lábios. Tudo, tudo mesmo, só para libertar, só para deixar sair, fluir, aliviar, até cansar, até secar a saliva, até o sangue correr limpo outra vez.
Meter para dentro é cancerígeno, é destruidor, é maligno tanto para ti como para a aqueles que tentas proteger de tudo o que te vai dentro. Mas tu não tens de dizer a esses o que te vai dentro. Diz-me a mim e eu digo-te a ti, e vamos até à praia e contamos tudo um ao outro e gritamos todas as asneiras ao vento e ao frio e depois lavamos a boca com a areia grossa e a água do mar. E lavamos a alma também.
Foda-se. Mentir a nós mesmos, inventar, meter para dentro é pior do que admitir que estamos fracos, frágeis, a tremer por dentro como se um terramoto estivesse a mandar por terra tudo o que tomamos por sólido. Fala comigo, caralho! E escuta-me quando eu falar contigo. Aceita-me, não me julgues, e deixa-me fluir também, que eu farei tudo isso por ti.
Já não sei ser de outra maneira. Quem aguentar, fica. Quem não aguentar, cai da beira do prato... e nem sequer o cão lhe pega. Vá, anda. Confia.
Deixa sair. Aqui onde estamos, é seguro.

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Sem perguntas

Estou a precisar de um abraço, de um colo e de um cafoné sem pressas, sem condições e que dure até quando eu precisar. Estou mesmo.


Update:
Obrigada, Universo, por tudo hoje.
E por estares a trazer de volta a minha turma para mim.
Já me sinto eu, novamente.
Baby steps, because my new best self is now two days old. :)

Hoje sou um feto.

Entrar no Temazcal é retornar ao seio da Mãe Terra, rendermo-nos aos elementos, e morrer, pacificamente, para renascer depois purificada.

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Cinco minutos, cinco.

O Dia dos Namorados seria muito mais verdadeiro e interessante se fosse simplesmente o dia do Perfeito Cavalheirismo.
Um perfeito cavalheiro consegue transformar completamente o dia de uma mulher apenas por se disponibilizar a fazer um desvio de 5 minutos para lhe dizer um olá, oferecendo-se para carregar o saco pesado que ela trazia e a acompanhar ao carro.
Cinco minutos, cinco, de simpatia, delicadeza, cuidado e gentileza, e voltei a ter fé na "Homenidade". Foi como voltar a respirar. E a sorrir, leve.
Afinal, tive um belo dia dos Namorados. Como deve de ser.

Tudo o resto são adolescentes aprisionados na fase rebelde, que se comportam como absolutos cepos. Cada um escolhe como souber. Quanto a mim, Good riddance!

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

Quero dar-te tudo o que tiveres para mim.

 Quero que me tragas uma história bonita. E verdadeira, e tão sólida e inexpugnável que nada possa destruir a sua verdade, a sua beleza, o amor que ela emana e que me aquece a alma. Uma história que sirva de espaço seguro, de certeza de presente e de futuro, algo tão puro e incondicional como uma melhor amizade, um amor fraterno, uma paixão eterna. Quero sentir que nada no mundo pode destruir a nossa ligação, nem na terra, nem no céu, nem agora nem noutro tempo ou dimensão. Quero sentir esse calorzinho no coração, quero sentir a calma a descer por cada uma das minhas células e o meu corpo a relaxar ao ponto de adormecer no teu colo. Quero acordar no dia seguinte e render-me a ti, e jamais desejar partir. Quero poder confiar que, contigo, estarei segura e protegida e simplesmente aceite. Quero que sejas tu a trazer-me tudo isso. E quero riso. Quero que me tragas riso e me faças rir contigo. Quero rir o resto das nossas vidas, e quero rir, mesmo quando chorar, só porque estás ali comigo e isso lava qualquer dor ou raiva. Quero que me dês tudo de bom e que saibas tudo o que é bom para mim, porque eu dedicarei a minha vida a fazer o mesmo por ti.
No amor puro e incondicional, nada se perde, tudo se transfere, tudo se devolve afinado, melhorado, valorizado, num ciclo interminável de dar e receber.
Quero tudo isto de ti, porque é apenas isto que tenho para te oferecer.

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Meu amigo, o meu desejo é que te fodas.


Aquele momento em que, finalmente, deixas de ter peninha do coitadinho a quem a vida correu mal e que por isso se acha no direito de foder os outros a seu bel-prazer porque, afinal a vida também o fodeu a ele.
Meu amigo, do fundo da minha amizade mais incondicional, te digo: vai-te foder. E que te fodas todo, te fodas bem, até ao casco. Até não sobrar nada daquilo que te fodeu e tu possas voltar à vida como pessoa inteira e respeitosa e sensivel e desperta.
Fica sabendo, meu filho da puta armado em vítima revoltada, que nada, mas NADA nesta vida te dá o direito de desconsiderares quem te cuida, quem te ajuda e te desenrasca sem pensar duas vezes, quem te preza, quem te respeita e, sobretudo quem te ama. Se não consegues amar ninguém, vai-te curar, vai-te tratar, vai-te foder. Não te venhas armar em amigo para pedir ajuda, em troca de falsas promessas que repetes sabendo que jamais as vais cumprir, até porque ficas logo mais papista que o papa e dás o dito por não dito quando te pedem ajuda a ti.
Lá por estares descoroçoado, isso não te dá o direito de tratar os outros como calhaus. Ou gretas de lamentações. As mulheres não são putas mecânicas ao teu serviço, são pessoas com sentimentos e vontades e opiniões e lugar no mundo, que merecem o mesmo respeito e voz que tu te arrogas.

Querias um post, aqui está ele.
"Gustastes" ? Agora, fode-te.

Ainda me hás-de agradecer muito por estas palavras da salvação.

True story.


Um raiozito de sol a mais, ou dois, fazem maravilhas.

Todos os dias de sol, faço questão de ir tomar o pequeno-almoço a um cafezinho cuja esplanada está sempre ao sol. Faço-o porque preciso do passeio, porque me quebra o jejum, e porque o empregado me trata como a menina mais bonita da esplanada, é sempre atencioso e me olha com um carinho sincero que me aquece o coração.
E porque, quase sempre, um passarinho pequenino me vem desejar bom dia. :)
It's the little things.

domingo, fevereiro 10, 2019

Sete é um número perfeito.

Eu e ele, sentados à mesa da confeitaria.
- Sabes, estou a pensar em voltar a pintar o cabelo de castanho... É a minha cor original. O que é que achas? Achas que me ficaria bem?
Ele arregalou os imensos olhos, debruçou-se sobre a mesa e, com as mãozinhas sempre frias, amparou-me as madeixas de cabelo que me emolduravam o rosto, olhou para mim, olhou para os cabelos que lhe cobriam as mãos e disse:
-Mas, assim tu ficas tão linda! Estás bem assim.
O meu coração derreteu e demos as mãos. Trocamos mais umas quantas palavras das quais já nem me lembro porque o meu coração estava cheio de mimo e eu já só tinha olhos para aquelas mãozinhas frias, de dedos compridos, que eu tentava aquecer. Ele continuava ali, de mãos dadas comigo e dedicar-me uma atenção rara.
Entretanto, chegaram os húngaros (os biscoitos, não os tipos) e ele meteu um à boca, enquanto me pegava no telemóvel para me mostrar um vídeo mesmo, mesmo fixe.

quarta-feira, fevereiro 06, 2019

Contacto Zero Ou Um Copo de Água Não se Recusa a Ninguém.

Este ano que passou, 2018 — sinto que é até um sacrilégio referir-me a 2018, como se já estivesse tão morto e enterrado que nem devia estar falar nele —experimentei muita coisa nova. Experimentei-me a mim, sobretudo, sendo o melhor que sei ser, e fazendo o pior possível com isso a mim mesma.
Como profunda escorpião que sou, atirei-me à fogueira das emoções mais profundas e andei lá a bater com a cabeça, o coração e a regar tudo com lágrimas. Dei tudo a quem não tinha como retornar coisa alguma. Fui peça em vez de pessoa, não uma, mas duas vezes. Percebi que a minha energia, normalmente tão luminosa, tão criativa, tão redemoinho-por-vezes-furacão, também se esgota, também se acaba e arrasta o meu corpo com ela. E com tudo isso, dois-mil-e-dezoito foi lindo. Apaixonei-me, observei-me, recolhi-me, abri-me, dei-me e, finalmente, descobri o amor incondicional. Descobri quem sou com quem não me via, porque não tinha como. Descobri o que é amar sem saber no que vai dar, sem prender, simplesmente amar no momento, porque o destino ninguém controla. Descobri que amo a mais pura verdade do ser e a intimidade da alma. Descobri que sou amor em estado puro — e em todos os outros estados, também. Descobri que o amor não se bloqueia, não se corta, não se impede. O amor flui como água. Toma muitas formas, tal como a água. Pode ser fervente e logo se evapora, e depois vai-nos pingando de volta no coração.
Em 2017, alguém me apelidara de Sarita (ler com sotaque indiano, sff.). Significa riacho, ribeiro, curso de água. Demorei um bocadinho a integrá-lo, mas nunca um apelido foi tão bem aplicado, porque é mesmo assim que me sinto.
O amor que sinto, o amor que sou, é como água, fluido, e imparável, ainda que sujeito às mutações das circunstâncias. Ora seca e se evapora para ir chover mais adiante, ora se infiltra e alimenta e anima a vida em quem resseca, ora jorra com mimos e atenções, ora observa de longe como uma núvem no céu. Também pode gelar e cortar como facas, ou embater de frente e destruir se o obstáculo for demasiado grande ou repentino. Mas sempre lava. Sempre clareia. A água não se segura, não se contém. Água contida é água morta. Esvai-se pelas brechas e poros de contentores incontinentes... A bem ou a mal, toma os aromas daquilo que toca, incorpora as impurezas, e depois precisa de voltar à terra para filtrar tudo isso. Por vezes, até chega a servir de esgoto, mas até isso, o amor leva para transmutar. Mas, acima de tudo, o meu amor nutre, vivifica, devolve à vida, assegura a vida, e retempera para que sigamos adiante.
Em 2018, aprendi que "exclusão" é um termo técnico que até os mais treinados para o identificarem e corrigirem, a praticam e a prescrevem. Comprovei que não há santos nem gurus perfeitos, e que nenhum, nenhum, pratica a 100 por cento aquilo que apregoa. Que todos estão sedentos de amor, também. Por muito que dêem, estão sequiosos de o receber. E que por muito que me sugerissem ser gelo, a humidade penetra sempre até aos ossos, e eu como a água, lá me vou imiscuindo-me até chegar à verdade do ser, ao cerne de cada questão. Vou até ao fundo, ainda que isso me custe a minha pureza, a minha qualidade cristalina, ainda que depois tenha de me ferver para me libertar do que não é meu. É a minha natureza. E eu confio na natureza. Ela também é fluida.
Sou água: eu molho, refresco, sacio, lavo e purifico, até posso levar tudo de enxurrada, conforto e desconforto e entranho-me até à alma. Sem água não há vida. E quando nasce, do meio das pedras, do alto da montanha, das profundezas da terra, ela não sabe onde vai desaguar. Simplesmente, flui.
Alguém me sugeriu: Contacto zero! Pois. Mas um copo de água não se recusa a ninguém.

terça-feira, novembro 29, 2016

E depois.... sa fôda.

....Depois, já tinham passado dois anos e meio sobre o meu último post neste blogue.
Leio o textos para trás e, em retrospectiva, reconheço as ilusões que vivia no momento em que escrevi uns quantos posts, e a verdade inelutável que eu ainda não reconhecia, noutros.
Volto agora por necessidade de escrever. Já chega de oneliners no Facebook.
Já chega de guardar para dentro. 'Sa fôda.

domingo, junho 08, 2014

Apetecia-me.

Uma fatia de torta de noz. Contigo.
Ou vice-versa.

Fiquei com tudo.

Já tinha aceite o meu destino. Estava na boa, sozinha, mais ciente do que queria e do que não queria nos homens que me apareciam pela frente. Cansada de propostas de "amigos com benefícios", "relações sem compromisso" e outras fórmulas afins, tinha na dança o único reduto onde eu conseguia entreter esses convites, divertindo-me, divertindo mas sem que ter de dar a minha intimidade ao manifesto. Se fosse assim pelo tempo que fosse, não seria o pior destino.
Até que ele apareceu. Desde logo, desde o início: compromisso é bom e recomenda-se, ter filhos um desejo a realizar, e eu não estou completamente fora do prazo. Ainda por cima, lindo, sensual, calmo, humilde, mas decidido. Um monumento.
Desconfiei. Olhei de lado. Convenci-me de que acreditava, que sim, sim, que iria ficar comigo, que até podia ser. No fundo, tinha o meu plano de fuga: a minha mudança de cidade. Se nada fosse realmente a sério, seria mais fácil e indolor deixar o sonho esfumar-se a 300 km.
Mas ele insistiu.
E eu barafustei, e esperneei e senti-me acuada e ai! que todos os medos, todas as desilusões, todas as minhas falhas voltaram para me assombrar e me testar. Sabotei tudo. Fui estúpida, agressiva, intolerante, parvalhona, acho que até me deixei engordar um quilito ou dois.  Redobrei a distância. Erigi uma muralha. Amarrei a burra.

Tão casmurro quanto eu sou teimosa, tão corajoso quando eu sou medrosa, tão doce quanto eu sou melosa, ele esvaziou a casa dele de todas minhas coisas e trouxe tudo até à minha porta.
Eu podia ficar com tudo ou só com as minhas coisas.

...

E eu quis lá saber das coisas.
:)

sábado, dezembro 28, 2013

Thank you. More, please.

Estou sempre rodeada de homens lindos.
Adoro. Sou uma sortuda.
Obrigada, Universo! Mais, por favor! hihihihihi :))

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Não está aqui quem escreveu.

Hoje sinto-me invisível.
Até por escrito.

Acho um piadão...

...àqueles rapazes meus conhecidos que começam a namorar e perdem a capacidade de responder às minhas mensagens inócuas porque, em tempos, sonharam ter alguma coisa comigo e nunca tiveram, nunca teriam, e agora também já não terão.
Os filmes que as pessoas fazem nas suas cabecinhas são verdadeiramente épicos.

Sinto-me sozinha.

No Porto.
Nem as minhas pessoas sabem já como estar comigo.
Sinto que já se habituaram à minha ausência, tal como eu me conforto com a minha não presença.
Não sei como voltar a casa. Já não sei.

Sozinha em casa.

Sou melhor a lidar com a solidão quando estou em Lisboa.
Aqui, no Porto, o coração é maior, bate mais verdadeiro e as emoções são mais presentes. Rio com o coração, choro quando me venho embora e sinto uma solidão estranha ao regressar a casa.
Aqui tudo é mais verdadeiro, mas cada vez menos real.
Em Lisboa, a ilusão sustenta-me e eu sustento-a a ela.
Vou ter de tomar uma atitude. Só ainda não tenho coragem para tal.

sábado, dezembro 21, 2013

É Natal.

Vou para casa.
Vou tentar outra vez.

A nossa visão do mundo


2013 foi uma sorte

Este ano, conheci gente muito boa.

Velha menina velha.

Tenho quase 40 anos, cara***ças!
E começam-me a pesar. Não são os meus anos a mais, mas os anos a menos dos outros. E é tudo aquilo que eu gostaria de fazer agora se tivesse menos 15 ou 20 anos. Claro que consigo fazer tudo, e a cena dos 20 anos é apenas uma crença parva e inculcada pela ditadura da juventude, mas chateia-me... Chateia-me ter tanta consciência de tanta coisa, perceber tanta coisa, intuir ainda mais, e estar exactamente a meio da vida e ver tanto para trás como para adiante. Chateia-me, pá!
Ok, na verdade, não chateia, só incomoda, agita, desassossega-me. Isso, desassossega-me começar a compreender o alcance das palavras dos meus avós, estando rodeada de gente de 20. É como ter uma visão panorâmica e de raio-x, em 3D e caleidoscópica, tudo ao mesmo tempo. É demasiada informaão que capto, não com o cérebro, mas com os olhos e que montam uma rave no meu coração. É saber mais do que a maioria e ninguém querer saber. É não saber puto sobre nada e não precisar ninguém para esclarecer. É fodidíssimo e maravilhoso ao mesmo tempo, e eu não quero que acabe, que este tempo passe e eu me perca na multidão. Quero só parar para saborear mais um pouco. Enquanto há. Enquanto consigo.
Acho que me começo a sentir velha.
Uma velha menina velha. Menina desde sempre. Menina há tempo a mais.

domingo, setembro 08, 2013

Associal.

Hoje estou num daqueles dias em que sinto que ninguém gosta de mim.
Pronto. É isso.
Sou daquelas pessoas que consegue sempre dizer alguma coisa que afasta os outros. E os outros afastam-se. Devo ser do tempo em que as pessoas nunca se afastavam, muito menos por dá-cá-aquela-palha.Sinto-me deslocada dos usos e costumes deste tempo. Sinto-me desterrada. Sem família. Sem chão. Só mesmo aqui a minha grutinha.

sábado, setembro 07, 2013

Melhor sozinha

Diz que vim sozinha, e que me manterei sozinha.
Sozinha é confortável, é seguro. Às vezes, é entediante. É meio triste.
Mas sozinha nunca me desiludo. Sozinha surpreendo-me. Sozinha consigo sentir-me plenamente feliz, por sou eu, livre e plena. Acompanhada tenho de fazer compromissos, dar de mim sem receber nada que me sirva realmente. Sózinha, dou-me tudo e recebo tudo.

Fora deste mundo

Não quero mais.
Quero muito mais. Muito acima, muito além.
Um outro nível, uma outra dimensão.
Na verdade, nunca me senti parte deste mundo.
Não compreendo as pessoas e a sua maneira de agir e pensar.
E depois poluem-me. Às vezes, fico como elas, imito-as, tento ser igual..
Mas não consigo. Não funciona por muito tempo.
Começo a plissar e perco-me.
Dizem que perco a razão. Para mim, isso significa que tenho uma razão que não querem que eu exerça.
Sempre vivi com um pé fora do mundo.
Agora, já começa a ser meio corpo.
Anseio pelo dia em que me vou.

Tarde demais, como sempre

Sou má pessoa.
Ignorem-me
Critiquem-me
Mandem-me calar.
Quando a pimenta vos chegar ao rabo
dêem-me razão.

segunda-feira, julho 22, 2013

A evitar a lupa.

Porque magoa os olhos. E o que os olhos vêem, o coração sente.
Por isso, desvio o olhar, faço de conta que não é nada, que não pode ser, que dali não vem nada.
Ou então, fixo-me por momentos em que está longe, tão longe que nem vejo, que quando aparece é fugaz e desfocado. É melhor assim.

quarta-feira, julho 17, 2013

Tudo.

Tudo o que disserem, pois que têm toda a razão. Ela nasce em vós, reside em vós, vem cá fora fazer vítimas e depois regressa para vós. Eu sou só um alvo, um dano colateral, um transeunte apanhado no fogo cruzado entre vós e o vosso espelho.
Deixem-se estar, não se incomodem.
Eu vou apanhando e passando.

Doido #1

Pagavas para me ter, mas a compra saiu-te mal. Veio com defeito e não a feitio.
Assim que pudeste, fizeste-me mal.
Não fiquei para ver. E agora, tudo voltou ao normal.

Doido #2

Ah, tens um piquinho a estranho, a azedo, com um toque de sinistro. A tua cabeça parecia espetada num pau de vassoura com cabelos de mopa e a expressão de uma marioneta. És o senhor dos atilhos e dos fios, manipulador exímio de ti mesmo, nem tanto de quem te rodeia. Falas de forma encriptada, mas tão cristalinamente simples, que de tão dissonante se torna até coerente. O sim é não, o que faço é faço sempre, e no coração não existe um sentimento especial, mesmo que o resto do mundo saiba que não é verdade. Mentes-te e queres que te descubram, mas és tão evidente que ficas mal na figura. Andas nú e pensas que estás vestido, de farpela ou até armadura, mas és de um transparente que se deseja opaco. Quando eu aceito o teu jogo e digo que sim, que acredito, que vejo o que tu mostras, acedendo à cegueira que te convém, tu logo viras o bico ao teu próprio prego e te desnudas para que eu te veja. Porque queres que te veja, nem que seja a última coisa que vejo quando me apontas o cano à testa e apertas o gatilho da tua pólvora seca.
É um farsante, numa comédia sem graça, e ocupas todo o palco e a plateia também. Estás sózinho com o teu eco e só com ele te sentes acompanhado. Bem hajas, que bem precisas.

Doido #3

Sabes que mais? Não acredito em ti.
És um fantoche, um armante, um actor quase competente. Falas, falas, falas, acertas em muita coisa, mas há algo que destoa. Não sei o que é, não compreendo porque tem de ser assim, mas impede-me de te celebrar. Ris-te à pressão das minhas piadas, transbordando de inveja porque sou eu que as digo, facto que faz delas ameaças. E ris como quem tem medo de não rir.
Não te entendo. Tão inteligente que és, tão elegante todos os dias, mas tão rasteiro e inseguro, tentas esconder que foste e serás sempre um puto de bairro, hoje arrivista e maquilhado.
Não te compro, não te levo, tolero-te, e depois deixo-te. Esquivo-me por entre as gotas da tua chuva, desejando que fossem uma torrente que me carregasse para um sítio mais real, mais honesto, mais simples, uma praia, um novo areal. Assim como assim, tentas afogar-me no teu lamaçal, chafurdar comigo e chamar-lhe brincadeira, ver se luto, se te respondo, se me incomodo com a sujeira. Se há lama, eu fundo-me com ela, aceito-lhe a natureza e deixo-me escorregar. Não resisto, vou deslizando, desprezando os teus arremessos. Logo, logo, neste lamaçal, muito ou pouco há-de chover, e tudo isto há-de escorrer de volta para o mar. 

Cenas, coiso, isto e aquilo e não tenho nada a ver com isso.

Estou com vontade de escrever. Estou mesmo. Estou farta de postezinhos da treta no Facebook e imagens com palavras que é preciso apanhar uma monumental porrada para sequer começar a compreender. Estou com vontade de escrever, mesmo que ninguém me vá, possa, ou se incomode a entender porque, na verdade, não me interessa nada.
Estou cansada e não consigo dormir. Estou carregada de uma energia irrequieta, a cabeça cheia de palavras, o coração cheio de sentimento e os braços vazios. Sim, que os preencho quando me aparece o anjo correspondente, mas que de tão perfeito, se vai no momento certo. Depois mudo de cenário e a lua é outra. Cá estou novamente, num cenário feito à minha imagem, só não sei se boa ou má, ou simplesmente sofrível.
Estou desconfiada, descrente e intolerante. Estou defensiva e, para ser franca, acho que o mundo está cheio de malucos em crise porque tem mesmo de estar. Está tudo a bater mal para que um dia possa ver a luz e bater melhor. Eu estou uns passos à frente, como um dia alguém mo disse, e parece que espero.
Mas estou farta, intediada, cansada de esperar. Já lutei, já caí, já chorei e já me ergui, já senti dor em cada passo, e agora celebro a felicidade que consigo apreciar. Ok, estou pronta, com o curso dos malucos desejavelmente cumprido e ultrapassado com flying colours.
Que mais tenho de fazer, ou deixar de fazer, quanto mais tenho de esperar por aquilo que sei que vem por aí?
Este filme está velho, está gasto, já me começa a irritar. É tudo uma fantochada, o discurso está gasto, o guião está desactualizado. Vivo de noite, arrasto-me de dia. Não quero saber, não faz sentido, o préstimo é quase nulo. E vejo-os correr e discorrer como se tudo fosse tão importante, até ao momento em que uma opinião diferente deita tudo a perder. Estou-me a cagar, não quero saber, tenho outras coisas para aprender, e ao mesmo tempo para ensinar...

quinta-feira, junho 27, 2013


quinta-feira, maio 30, 2013

Mesmo que não estejas, ficas.


És minha.
Escolheste-me. Eu passei a ser tua.
Fomos livres, só nós. Tu e eu, uma com a outra. 
Éramos nós.
Eu tive de partir e tu tinhas de ficar.
Deixei-te para trás, mas levei-te comigo.
Ficaste a cumprir a tua missão, a meu pedido.
Tu sabias que eu sabia, e só nós sabíamos. Tinha de ser assim (ou será que tinha?).
Fizeste tudo o que tinhas a fazer e foste perfeita. 
És perfeita. Única, irrepetível. O meu anjo.
E mesmo que digam o contrário, és e sempre serás minha.
Voltei a tomar conta de ti.
Agora, ficas comigo. 
Mesmo que não estejas, ficas.